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Socorro, que nojo

Foto do escritor: Edison de FreitasEdison de Freitas

Socorro, que nojo, 

tentei ordenar,

mas meu criado tem de folgar.

Não sei fazer nada, mas isso não importa,

só preciso mesmo é chamar.

 

Socorro, que nojo, 

o entregador não sobe,

tenho que descer pra buscar. 

Andei uns cem metros, noventa parados, 

mais dez caminhei pra pegar.

 

Socorro, que nojo, 

olhar pra pobre dá náusea,

alegria só meu caviar.

Comida gostosa, não importa o que sofra,

Só quero me deleitar.

 

Socorro, que nojo,

terei de sair, 

ver o povo desse lugar.

Prefiro em casa, com tudo o que tenho,

relógio, joias, luxo sem par.

 

Socorro, que nojo,

o que aconteceu?!  

É sangue pra todo lugar. 

Andando apressado furei o encarnado,

atravessei uma van escolar.

 

Socorro, que nojo,

Mandado pra cá,

Só falta ser um hospital.

Traumatizado e exausto, continuo assim

pensando no meu capital.

 

Socorro, que nojo, 

ouvi falar, 

talvez não saia desse lugar.

Só quero meus bens, para poder levar

 para esse tal novo lar.

 

Socorro, que medo,

acho que não dá 

para o material carregar.

Daria tudo pra poder ficar

e muito mais bens conquistar.

 

Socorro! Por nada!

Meu tempo se acaba,

gostaria de ir de mão dada.

Sozinho, pelado e muito assustado

Encerra esta vida errada.

 
 
 
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